segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Tão Profundo Meu

Tão Profundo Meu
Mariana Melo

A fragilidade de todos arrepios
Desta noite
Neste frio
Eu, somente
Tão sem sorte
Sem forte
Ou refugio
Em frente, somente o vazio
Do abismo, do incerto
Não sei se está perto
Ou se imagino, e cismo
Que é real o que criei.

sábado, 30 de agosto de 2008

Para Flávia, para mim

Para Flávia, para mim
-Mariana Melo


ah, o equilibrio..
tão simples e tão complicado.
tão perto e tão longe.
onde se esconde?
tão em mim, aqui dentro!
que venha ele, e venha a paz.
que, não em falta, nem demais:
a dose ideal, apenas
pra ver beleza
nos atos sutis de nobreza
nas tardes serenas
em tudo que há de grandioso
dentro das coisas pequenas.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Por mim

Por mim
-Mariana Melo

Quando quero não sei o quê
não sei como
ou por que.

Não sei se também quer
se estou bem
ou se está bom.


A emoção, onde?
Façamos loucuras!
Saia do seu comum.
[ou não valho tanto?

Como fazer-se valer?
Se a pele e pêlos,
os olhos nos seios
meus.
[que não possuo.

A habilidade de apegar-me
Mostra-me a inteligência
[emocional
baixíssima, desleal
[a mim.

Mãe diz-me que sou tanto
Pai mosttra-se num'espanto
Amigos.. tenho quantos?
Quanto???
Algum?

No meu lugar isolado, comum
Sou mais um des-elo
Mais um.

Não piecieng, não vermelho,
não xadrez, não bolinhas ou listras.
Sou as dissonâncias
Da orquestra mal elaborada
[quase calada,
sou nada.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Ao Lobo Valente

Ao Lobo Valente
-Mariana Melo


Encontrei, sem esperar
. No inicio deste mês
. Quando achei que não mais iria

Alguém pra gostar
. E na minha timidez
. Chamei de simpatia

. Aquele palpitar.
E dessa vez
. Quem diria..?!

Sem nada cobrar
. Que venha, talvez
. E em harmonia

. O seu me gostar
Pra ser solidez
E não euforia

O meu ansiar
. Numa insensatez
De ser sua guria


Que será, será.

sábado, 2 de agosto de 2008

Distante

Distante
-Mariana Melo

é como se
a engrenagem fosse você

pra eu querer movimentar
as rodas dentadas
nao devem jamais
se completar
por inteiro
e o meu eixo
prossegue, e roda
me leva longe
mas nunca inteira
os dentes nao se encontrarão todos
nunca será o bastante
e o movimento continua
constante
e você, distante
me leva
adiante.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Febre

Febre
- Mariana Melo

As vezes a solidão é tão clara
pra mim
Assim como quem não quer nada
ela se instala
Então, sozinha, ela fala:
"Não se prenda demais,
menina.
Uma hora o bom rapaz
não se importará mais
E estará
lá onde jaz
seu coração."


Eu te odeio
por saber, aqui no seio
que você não pode viver
sem freio,
à minha mercê.
Acho que no fundo
eu quero te odiar agora
pois quando não existe
tudo é tão frio
e vazio e triste
que eu não vejo a hora
de te esquecer
pra ver se essa febre melhora.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Tesouro

Tesouro
- Mariana Melo

Eu me ponho quase rouco
Na conversa, se te cito
Sinto tanto ter ferido
Algo além do meu umbigo

Mas eu quero, agora, um pouco
Do sorriso tão bonito
Do abraço mais querido
De você aqui comigo

E desejo como um louco
O seu ar de "eu te fito"
O seu beijo colorido
O seu colo tão amigo


Onde estás
Que não te vejo
Nos meus braços?

Por que eu deveria
Me contentar
Com mixaria?

Suas provas
Se fizeram
Tão escassas!

Não cresceria
Aquele amor
De outros dias?

Ou mais valia
Sem conhecer
Minha companhia?

O quê fazer
Se não consigo
Sem você?

Essa distância
Empobrece
O longo dia.

E eu não suporto
Esse vazio
No meu leito.

E o travisseiro
Aqui, tão débil
Sem seu cheiro.

O quê posso
Sem seu riso
Aqui, tão nosso?

Sem você, calado
Me encarando
Abobado.

Ou ainda
Sem ouvir
Que sou tão linda.

Me engana
ao dizer
Que me ama?

Pois não me chama!
Sem mim...
Nem reclama!

E estremeço
Perco a rima
Não adormeço
Inquieta
Às sete da matina
E me esqueço
De cuidar da menina
Que não é mais minha
A vermelha garotinha
Que te ama
Essa sozinha
Mariana.